Da redação

Na semana passada, novamente o Banco Central da China (BCC) expressou seu apoio à emissão da moeda digital nacional. Em 4 de abril, na Conferência Nacional de Ouro e Prata, de Segurança de Trabalho e Conferências por Video e Telefone, o BCC disse que estava “priorizando” o yuan digital.

“Desde o surto da epidemia, os sistemas monetários e de segurança fortaleceram a oferta e circulação de dinheiro para garantir o funcionamento normalmente”, dizia nota do governo.

“Avanço legal da moeda digital”

O principal de muitos objetivos listados na reunião foi “avançar inabaladamente a pesquisa e o desenvolvimento legal da moeda digital, promover sistematicamente a reforma do sistema de emissão, criar legislação que proteja o novo formato e acelerar o processamento de notas, guardas bancárias e fundos de emissão”.

Em outras palavras, acelerar o desenvolvimento tecnológico e legal do novo Yuan.

Apesar de ser a milionésima vez em que o governo e o BCC falaram sobre emitir moeda digital, nunca houve um comunicado tão assertivo e claro quanto ao que fazer.

Por que bem agora?

Com a desaceleração da economia e o pior desempenho do PIB em 50 anos, a China lança um novo plano de estímulo, voltado à infraestrutura e com o valor de US$ 3,6 trilhões.

Não é a primeira vez que isso acontece e em 2008 o mundo inteiro se gabou da primeira grande injeção que a China fazia. Isso ajudou o mundo a se manter de pé ao longo da última década, mas muita má alocação de recursos foi feita… Muito desvio para uma burocracia gigantesca… =/

A esperança do novo Yuan digital é que o governo possa monitorar o uso do dinheiro e trazer mais eficiência ao gasto público. O gasto que não for desejado pode levar a punições. Claro, até que algum burocrata poderoso possa manipular a blockchain chinesa e “se livrar de rastros”.

A blockchain chinesa tem uma arquitetura diferente: um sistema fechado com permissões a agentes públicos e privados, como bancos comerciais e empresas de tecnologia.

3 grandes choques que aceleram o Yuan digital

  • A gigante da mineração de criptos Canaã Inc. registrou um prejuízo de quase US$ 150 mi ao longo do segundo semestre do 2019. O preço de todas as criptos seguiram em queda até que em nov/dez ficou mais caro minerar do que ter o ativo! Soma-se a isso, pagamento de pessoal + pagamento de participações sobre o lucro que estavam atrasadas. Logo, um prato cheio para o mercado cripto perder barganha.
  • Uma prática comum para driblar a vigilância do governo chinês é a compra de criptos em “mercados de balcão”: você usa um meio de pagamento e recebe a cripto em uma carteira. Assim, ao invés do comprador ter o registro de compra, o que há é o registro de transferência do vendedor. Quase todos os balcões oferecem 3 meios de pagamento: WeChat Pay, AliPay e transferência bancária. Mas poucas (7%) suportaram transações via WeChatPay, um prato cheio para reduzir o acesso ao mercado cripto.
  • Empresas como Microsof, Mastercard, Walmart e Intel estão atrás de registrar patentes de blockchain na China, já que lá o registro é muito mais barato do que nos EUA. Segundo o Global Times, das 35 empresas multinacionais participando do processo, 13 são americanas e 8 são japonesas. Logo, é um prato cheio para que empresas já especializadas aproveitem para crescer seus negócios em blockchain, seja com QR, seja com criptos, seja com o novo Yuan digital.

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