Da Redação

O Canadá deve erguer um memorial nacional para comemorar seu expurgo LGBT + quando uma caça às bruxas forçou milhares de canadenses a deixar o serviço público, que ocorreu durante a Guerra Fria, entre os anos 1950 e 1990.

O expurgo foi uma tentativa sistemática de expulsar as pessoas LGBT + das forças armadas, da Polícia Montada Real Canadense e de outros cargos no governo. O expurgo só terminou em 1992 após uma contestação legal.

Agora, a capital do Canadá, Ottawa, ganhará um memorial permanente para lembrar aqueles dias sombrios e ajudar o país a seguir em frente.

A Comissão Nacional da Capital aprovou por unanimidade um local para o memorial, que custará cerca de US $ 8 milhões.

Rosane  atua como consultora de educação no Candá (Foto: Divulgação)

O local fica em um espaço verde levemente inclinado e terá uma visão clara da Suprema Corte do Canadá e Parliament Hill. Ele está próximo também do Monumento da Marinha Real Canadense e da Biblioteca e Arquivos do Canadá, ao norte da Wellington Street e ao leste da Portage Bridge.

Diferente deste período de expulsão da sociedade LGBTQ+ do país, Rosane Rodrigues-Bachand, Presidente na empresa Conselho de Cidadania de Montreal, lembra que o governo estimula as discussões sobre a reconciliação não só em relação aos LGBTQ+, mas, também, em relação aos povos indígenas. “É a tentativa de construção de uma nova história com mais respeito, igualdade e reconhecimento dos erros cometidos no passado”, afima a brasileira, que atualmente mora em Montreal.

Respeito fora de Ottawa

A capital canadense não é o único local onde LGBTQ+ são respeitados. A sociedade de outas regiões, como Quebec, por exemplo, convivem em harmonia.

Em Quebec, Bruna sente-se mais livre no Canadá (Foto: Divulgação)

A brasileira Bruna Hildebrando, mulher trans que mora em Quebec afirma que viver como trans na cidade é mais fácil, ou menos difícil, do que no Brasil. “Ao menos a gente tem menos medo de andar na rua”.

Ela lembra ainda que o Canadá está cheio de momentos que demostram respeitos aos LGBTQ+, como o casamento homoafetivo e a Parada Gay em Montrea, chamada de  Fierté Montréal e tem apoio forte do governo do Canadá. . “A Parada é um dos principais eventos do ano na cidade de Montreal. Além dos órgãos governamentais, grandes empresas de telefonia, bancos, companhias aéreas, entre outros apoiam”.

Sobre o casamento, ela afirma que a conquista não foi fácil, pois como em todo o mundo, enfrentou pressão de líderes religiosos e dos partidos conservadores do Canadá. “Os debates são sérios por aqui. Um dos candidatos é abertamente favorável aos LGBTQ+ acusou Peter McKay, atual ministro da Justiça do Canadá, de ser anti-trans. Logo, McKay teve que publicar uma nota dizendo que é a favor dos direitos das trans. Eles estavam falando especificamente do uso do banheiro”, lembra Bruna.

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