Por Andrei Teixeira

Vamos falar de algumas soluções econômicas possíveis para aliviar os problemas do Poço.

Não dá para saber se 100% das coisas estariam resolvidas, mas acho interessante fazer paralelos entre alguns elementos do filme e da realidade.

#conversanerd
#economianaveia
#liberdadeeconomica

Lembrando que a crítica do próprio diretor Galder Gaztelu-Urrutia do filme é a seguinte:

“Nós certamente pensamos que deve haver uma melhor distribuição de riquezas, mas o filme não é estritamente sobre o capitalismo,” disse Gaztelu-Urrutia. “Talvez haja uma crítica ao capitalismo no começo, mas nós mostramos que, assim que Goreng e Baharat começam a usar o socialismo para convencer os outros prisioneiros a compartilhar a comida, eles acabam matando metade das pessoas que tentaram ajudar”.

No fim, o problema surge quando você tenta exigir a colaboração de todos e vê que não há conquistas no final. Goreng faz o que planejou, levando a panacota e a criança até o último nível, mas ele não mudou a opinião de ninguém sobre compartilhar a comida.

A minha interpretação pessoal é a da crítica ao Estado, ou seja, a crítica a uma estrutura rígida, onde o contato da burocracia estatal com as necessidades dos indivíduos é mínima e onde não há liberdade econômica.

Os paralelos mais importantes

  1. As pessoas do poço são consumidoras de produtos: a comida.

2. Os funcionários do restaurante são os fornecedores desses produtos, logo, são as empresas ou vendedores em geral.

3. O gerente do restaurante é algo como a burocracia estatal, que interfere nas regras de produção de bens, colocando um custo muito alto à produção (a qualidade da comida, que é impecável) e obrigando a criação de apenas 1 prato por pessoa.

4. O preço inexiste nessa “sociedade”.

Por que levar a panacora até a cozinha não ajudaria em nada?

Se pensamos que a panacota é o prato feito sem a qualidade do gerente, então caso retornasse, apenas reforçaria na cabeça dele que a panacota foi rejeitada pelas pessoas. A administração continuaria cega quanto ao problema da quantidade de comida.

Messmo se a panacota descesse em perfeito estado, nada mudaria: se fosse comida, continuariam sem conhecer a realidade do Poço e se retornasse, não acrescentaria muita informação à cozinha. A não ser que ela sempre voltasse ou outros alimentos voltassem.

Convenhamos que mesmo mal feita, a panacota seria comida diante da fome.

Algumas soluções

  1. Retirar a figura do gerente e deixar a cozinha fazer quanta comida quiser na quantidade que bem entender. Conforme faltasse comida, add mais ao elevador sem muito foco na qualidade e na organização. Se começasse a sobrar comida por vários dias, seria possível encontrar um ponto de equilíbrio entre oferta e demanda de alimento.
  2. Ok, mas os recursos podem ser escassos e a cozinha não ter tanta comida assim… Então seria interessante permitir que as pessoas troquem favores umas com as outras: o nível de baixo fazer algo para o nível de cima para que o nível de cima coma menos. Ex: lavar a roupa, cantar uma canção, contar uma história, fazer sexo, subir de nível para prestar algum serviço de interesse, deixar de fazer barulho, etc!
  3. Envio comida diretamente aos níveis mais baixos. Para saber se sobraria comida, seria necessário criar um mecanismo de “calor” ou “congelamento” do andar caso a comida ficasse ali por mais de “x” minutos. Também seria necessário criar outro mecanismo para devolver as sobras direto à cozinha (via sucção ou via plataforma mesmo).
  4. Uma mistura de qualquer uma das solução acima.

Os paralelos dessas soluções

A solução 1 simboliza a liberação das forças produtivas do Estado, de modo que este interfira menos nas decisões da iniciativa privada.

A solução 2 simboliza a liberação do comércio, que atualmente inexiste no Poço. As pessoas simplemente vivem e não podem trocar coisas que queiram, ou seja, alinhar  expectativas e desejos egoistas.

A solução 3 é a solução liberal de transferência direta de renda aos pobres e miseráveis, como é o caso do Bolsa Família ou do Coronavoucher. As pessoas acreditam saber do que elas mais precisam.

E aí, curtiu a nerdagem?
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