Visa, Master, Paypal, BTC, Governo… As dificuldades da Libra

A Libra pode não vingar porque não tem um projeto amplamente apoiado, não tem um produto inovador e sofre das regulações do Estado

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Da redação

Na semana passada, dia 03/out, Visa e Mastercard colocaram em dúvida sua participação no projeto da Libra. Tudo começou quando o The Wall Street Journal divulgou a informação de que as bandeiras estavam reconsiderando sua participação no consórcio formado em torno da nova moeda. A Visa se recusou a comentar. A Mastercard segue em silêncio.

Cinco dias depois, dia 08/out, a Paypal não só colocou em dúvida sua participação, como se afastou do projeto. Neste momento, “vamos focar na democratização dos meios de pagamentos para as comunidades mais pobres”, comentou o executivo-chefe da Paypal às mídias essa semana.

Seria mesmo a Libra um bom projeto?

Será que mais empresas podem sair do consórcio, que foi criado recentemente?

O Facebook se arriscou desmedidamente, não se organizou corretamente ou sofreu forte concorrência das criptomoedas tradicionais?

A estrutura de funcionamento da Libra

Libra: a moeda do Facebook.

Ou então… Libra: a moeda do consórcio de 28 fintechs.

Independente do nome, isso já mostra que ela tem dono, ou seja, seu funcionamento, não ocorre de modo descentralizado, como ocorre com o Bitcoin (BTC), onde quem coloca novas unidades em circulação são mineradores do mundo todo, segundo a facilidade/dificuldade técnica de mineração e a recompensa recebida por tal atividade.

O BTC não se desvaloriza porque ela tem um estoque limitado de unidades definida por seu algoritmo inicial. Isso quer dizer que ela não perde valor porque não pode ser “impressa” loucamente: sua inflação cai a cada dia que passa.

O Bitcoin só perderá valor, caso surja(m) nova(s) moeda(s) com uma tecnologia maior, com um estoque não muito grande em relação ao BTC e com muito mais publicidade e confiança por parte das pessoas.

Logo, para a Libra conseguir desbancar o BTC, precisará mostrar que não é um “dólar digital”. Será necessário que o consórcio não desvalorize a moeda, que ele garanta a privacidade contra a “pegada digital do usuário” e impeça que hackers invadam as carteira dos usuários, dentre outras demandas que surjam dos indivíduos.

Em relação à privacidade, essa talvez seja a maior barreira a vencer, pois a Facebook já mostrou sua cara em relação ao uso e à venda de dados pessoais. Logo, quem garante que eles não monitorarão o caminho do dinheiro de cada um?

O governo já consegue ter uma ideia de como nosso dinheiro se movimenta, por meio da CLT (recebimento do salário), das notas fiscais (compras que fazemos) e o estoque da renda e capital (IR). Mas ainda é algo meio impreciso e incompleto. A Libra colocaria rastreamento digital em tudo o que fizéssemos. Esse é o típico problema da moeda centralizada.

Ainda por cima, os governos não querem perder sua posição de privilégio em relação à fiscalização do cidadão. Não é a toa que, desde que foi lançada, a Libra vem sendo alvo de denúncia, polêmica e tentativa de regulação norte-americana. O governo ataca quem tem rosto e o BTC não tem rosto, diferente da Libra.

As concorrentes também se movem

A Visa, em parceria com o Alterbank, lançou dia 05/out, no Brasil, uma conta digital que permite usar criptomoedas descentralizadas para compras no sistema financeiro corrente. Os brasileiros terão na mesma carteira sua conta com bitcoins e altcoins e uma outra conta com um cartão Visa.

A solução permite utilizá-las para efetuar diversas operações bancárias, como compras, saques, pagamentos de boletos e transferências. Também poderão ser usadas para recarga e pagamento de transporte público no Rio e em São Paulo, devido à tecnologia NFC da Visa. Isso falando só em Brasil, o que já existe em outras partes do mundo.

O Mercado Pago, uma das maiores fintechs da América Latina, já está atuando com publicidade pesada sobre seu QR Code, um pagamento que é novo no Brasil. A empresa está fornecendo descontos de R$5, R$10, R$15, etc. para compras em farmácias, Mc Donald’s, postos, bares e restaurantes. O novo meio de pagamento já existe desde 2018, mas este ano está sendo amplamente divulgado por todo o continente.

Na China, pagamentos com QR Code já são uma prática antiga (quem dirá maquininhas, que ainda é algo popular, mas que já podemos entender que não é mais a ponta das inovações). A Alibaba lançou pagamentos por reconhecimento facial, que estão se tornando habituais em supermercados, metrô e até para pagar contas de serviço.

A Amazon já está estreando o mesmo sistema de reconhecimento em solo americano. Obviamente, esse é um sistema ainda mais centralizado, porque além de monitorar o local, data e hora do pagamento, monitora sua face… Muito útil para qualquer Estado ou agência de investigação…

Conclusão: Muitas dificuldades

O Facebook está tendo seu projeto apoiado por um consórcio composta por empresas que pensam em suas próprias estratégias locais.

Ele ainda concorre com outras gigantes da tecnologia, como a Amazon e a Alibaba, que não estão no consórcio, e que já estão adiantadas quando o assunto é meio de pagamento, algo novo para o Facebook.

A Libra também sofre das mesmas regulações a que estão sujeitas as tradicionais criptos e altcoins, como Bitcoin, Litecoin e Ethereum. Mas ela não conta com a vantagem de ser descentralizada, o que gera problemas de privacidade.

É continuar acompanhando para ver como segue a novela.

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