Por Andrei Teixeira

Desde a Antiguidade, o Estado sempre foi o dono da moeda e de sua emissão, fazendo a gestão do dinheiro que anda pela cabeça de seus burocratas, por mais aptos ou não que estivessem no mundo da Economia.

Por conta disso, já nascemos com a impressão de que só o governo pode cuidar do nosso dinheiro. É estranho pensarmos que um país pode ter mais de uma moeda ao mesmo tempo em circulação. Afinal, a moeda faz parte da “nacionalidade” de um povo. Então existe um motivo moral, política e de poder por trás disso.

Outro motivo pela qual os burocratas não abrem mão desse monopólio se deve ao Efeito Cantillon.

Esse efeito acontece quando o burocrata decide aumentar a quantidade de moeda da economia, de modo que os primeiros a terem acesso a essas reservas (o Banco Central e os bancos privados) acabam tendo uma vantagem em termos de riqueza real em relação aos próximos passos da economia, que é o sistema financeiro, o setor comercial e por último a casa do cidadão.

Até que a inflação seja sentida e os preços aumentem, os bancos privados se tornaram mais ricos. Eles também sentirão a inflação no futuro, mas até lá, o delay de tempo permite com que eles mexam seu dinheiro para se protegerem da alta póstuma de preços.

Assim, o monopólio da emissão gera uma dupla desigualdade em relação às massas: a desigualdade moral/cultural e a desigualdade de renda/riqueza.

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A inflação é resultado não só de uma má política econômica, mas da próprio desenho de nosso sistema financeiro com a proteção estatal (Foto: Divulgação)

A partir do momento que a tecnologia permite gerar uma moeda concorrente à moeda estatal, as pessoas podem começar a colocar em xeque uma estrutura de poder que até então estava intocada. –> Pilar moral

E a partir do momento que essa moeda é programada para não ser inflacionada, então as pessoas podem pensar em migrar para o lugar onde elas podem ganhar mais dinheiro. –> Pilar econômico

Por trás dos problemas da moeda fiat (moedas estatais), está o fato de ser uma estrutura centralizada, que é o governo. Por outro lado, ninguém conhece melhor as preferências das pessoas do que elas mesmas.

Dependendo da sorte ou do azar, uma geração inteira pode nascer sendo obrigada a lidar com uma moeda problemática, fraca e frágil durante momentos de choques econômicos. Ou seja, as moedas fiat são uma imposição externa, tal como impostos, leis e até mesmo religião.

Por isso, a melhor moeda é aquela em que eu e minha contraparte consideramos ser a melhor.

E assim vale para toda a sociedade, em rede!

Já parou pra pensar que a noção de perda de valor do Real parece tão “natural” como a ideia de que só o governo brasileiro pode criar reais? Pior, já parou pra pensar por que você teria em sua carteira uma moeda que só perde valor porque pode ser impressa por quem, muitas vezes, não te representa?

Quando vemos dois produtos, dois meios de transporte ou duas proposta de trabalho, é inevitável compararmos o que trás mais bem-estar pra gente. O mesmo ocorre com a comparação entre as moedas fiat e as criptomoedas.

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O dólar está em ameaçado diante de uma tecnologia que reduz custos de transação, que é descentralizada e que não pode ser inflacionada (Foto: Divulgação)

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