Da redação

É uma ideia recente no Brasil. Os viadutos verdes são inspirados em experiências internacionais. Os primeiros viadutos vegetados surgiram na França na década de 50. E hoje, a Holanda é referência no assunto, com cerca de cinquenta dessas estruturas espalhadas pelo país e outras planejadas para os próximos anos.Há também viadutos desse tipo em nações como a Austrália, onde existe até mesmo uma estrutura construída tão somente para a travessia de caranguejos, e o Canadá, que ergueu a famosa passarela do Parque Nacional Banff, dedicada ao trânsito de mamíferos de grande porte, como os ursos, por exemplo.

O Brasil, país detentor da maior biodiversidade do planeta, ainda não conta nenhum elevado do tipo. Mas já há um projeto de um viaduto na BR-101 [RJ], que já conta com licenciamento ambiental de órgãos como ICMBio e Ibama e reforçada por ação judicial.

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Projeto de viaduto verde no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)

Em 2016, o Ministério Público entrou com uma ação civil pública determinando que o viaduto vegetado fosse construído por causa das obras da Arteris, empresa que tem concessão de parte da BR-101 no Rio.

Depois de negociações, encerradas no início do ano passado, chegou-se ao consenso que levou ao projeto em andamento. Estão previstas também 15 passagens subterrâneas e dez passarelas mais simples — todas destinadas a animais. “Encontramos uma solução que atendeu a todas as demandas”, diz o gerente de meio ambiente da Arteris Fluminense, Marcello Guerreiro. No total, o valor investido deve chegar a 52 milhões de reais e a despesa pode ser compensada com o aumento do pedágio. Na prática, é uma escolha social.

Cogita-se, para o caso de a proposta dar certo, a construção de um segundo viaduto vegetado na mesma BR-101, no prazo de uma década. Em teoria, qualquer espécie terrestre da Mata Atlântica poderá se beneficiar da passagem. Contudo, espera-se que os principais favorecidos sejam os micos-leões-dourados. Hoje, há 3 200 micos nas florestas fluminenses.

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Exemplo de ponte em arco, no Parque Ecológico Banff, no Canadá, um de vários que estão no perímetro do parte (Foto: Divulgação)

Além de ser uma forma de integrar o desenvolvimento à natureza, são lindos pontos de parada, seja em acostamento, seja no alto da ponte. Algumas delas são mais abertas e possibilitam ver a estrada de ambos os lados. Algumas são mais fechadas e não impedem a travessia por ela.

Seja como for, é uma forma de manter o equilíbrio da natureza, uma vez que os animais não têm conseguem se desenvolver em ambientes cortados por estradas. Eles necessitam de espaço amplo e costumam sempre atravessar a via como se ela fizesse parte de seu ambiente. A ideia também é reduzir a mortalidade animal derivada de acidentes.

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