Por Rosane Rodrigues, direto de Montreal

A bela e bilíngue Montreal, na província do Quebec, no Canadá, é internacionalmente reconhecida por sua diversidade de culturas, de religiões e de opções sexuais.  É o melting pot canadense. É em Montreal que se organiza uma das mais importantes paradas LGBTQ+ (A sigla em inglês significa “Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender e Queer”) do mundo.

A parada de 2018 acontece no domingo, dia 19 de agosto, com a expectativa de reunir milhares de pessoas nas ruas. Mais do que um evento cultural, a Montreal Pride 2018 é um exemplo de combate ao preconceito e a favor da liberdade de expressão.  “A Pride é muito mais do que uma festa. É um momento especial que a comunidade LGBTQ+ tem para se expressar e mostrar a importância que o movimento tem para a sociedade e que não estamos sozinhos”, explica Guadá Bezerra, enfermeira de Fortaleza, residente há vários anos no Canadá e uma das fundadoras do canal do YouTube  Sapah Montreal.

A Gay Village é um dos points do Canadá para a população LGBTQ+ (Foto: Divulgação)

Os direitos LGBTQ+ no Canadá são bem avançados quando se comparam aos de países como Uganda e Arábia Saudita e mesmo Brasil. “A Fierté Montréal / Montréal Pride é uma forma de mostrar ao mundo como somos abertos e diversos. A diversidade faz parte do Canadá e é um motivo de orgulho”, explica Jordan Dupuis,  porta-voz do desfile.

No Canadá, a conquista de direitos percorreu um longo caminho, que começou a ser definido a partir de 1967. Pierre Trudeau, o pai do atual primeiro-ministro Justin Trudeu, e que morreu em 2000, aos 80 anos, afirmou, no fim da década de 1960, quando era Ministro da Justiça,  que o quarto era um espaço privado e o Estado não deveria interferir. Pierre, que se tornou primeiro-ministro anos depois, é um dos símbolos da luta contra o preconceito sexual em todo o mundo.  É uma das razões da família Trudeau, originária do Quebec, ser convidada a desfilar todos os anos na parada de Montreal e em outras pelo país.

Entre os grandes marcos na luta contra o preconceito, podem ser listados:

1969: As relações homossexuais são descriminalizadas e ficam de fora do Código Criminal, que previa pena de prisão entre 5 e 14 anos.

1976: A orientação sexual fica impedida de ser motivo de discriminação. Até esse momento, a demissão de funcionários homossexuais era um problema recorrente. A província do Quebec foi a primeira do país a mudar a lei.

2002: União estável entre parceiros do mesmo sexo passa a ser legal no Quebec assim como o direito de adoção.

2003: A província de Toronto legaliza o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

2005: Uma lei federal faz com que o Canadá autorize o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Foi o quarto país do mundo após a Holanda, a Bélgica e a Espanha.

2013: Questões civis são simplificadas para pessoas trans após mudança de sexo.

2016-2017: Proteção maior contra ataques de ódio e discriminação por gênero para pessoas LGBTQ+.

Montreal é uma das cidades que mais respeita a diversidade sexual no mundo (Foto: Divulgação)

O desfile do domingo é o ponto alto de uma maratona que dura toda a semana, com centenas de atrações gratuitas em várias partes da cidade. No Parc des Faubourgs, onde fica o palco principal, artistas convidados – como DJ Sam, Patsy Gallant  e Mondo Disco – comandam a festa. A concentração do início do desfile, na rua René-Lévesque Boulevard, está marcada para as 9 horas da manhã e a parada está programada para começar às 13 horas, com um roteiro de 3 quilômetros que termina em uma grande celebração aberta no  Parc des Faubourgs. O primeiro-ministro Justin Trudeau confirmou a participação na Fierté Montréal / Montréal Pride.

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Guadá Bezerra é uma cidadã brasileira que atualmente mora no Canadá em busca de uma vida com mais respeito às lésbicas (Foto: Arquivo pessoal)

“Nós fazemos parte de uma minoria visível e. como toda minoria, a gente não tem certos privilégios que a sociedade hétero normativa tem, como poder falar sem medo que você é casada com uma pessoa do mesmo sexo, de poder andar nas ruas de mãos dadas com seu parceiro ou parceira, sem que as pessoas te olhem de lado, te insultem. Temos muito o que conquistar no Brasil e o movimento LGBTQ+ está aí para isso”, finaliza Guadá Bezerra.

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