Por Andrei Teixeira

É mais um sinal de um novo sistema econômico que está emergindo. É o mundo novo. O começo de uma nova era, mas não quer dizer “A Nova Era”, fique tranquilo.

Já se fala muito de economia colaborativa, de robotização total da produção, também de moedas digitais ao invés do bom e velho dinheiro de papel, de energia renovável e de comércio regional muito mais forte do que o comércio global.

Agora, uma novidade que está ganhando destaque: o yuan chinês como moeda não apenas de reserva para o mundo, mas também de unidade referência para o petróleo, a ainda grande matéria prima do mundo.

O petróleo Brent, o mais conhecido de todos, é uma commodity, ou seja, o barril de 200 litros é tomado como unidade básica de medida ao invés de usar o litro do óleo negro pra compra e venda no mundo inteiro.

Quanto há abundância, o preço cai e quando há demanda, o preço sobe. Tudo acontece com base na Lei da Oferta e Demanda e tudo é transformado em dólar.

A China, em parceria com a Rússia, tem conquistado a confiança dos mercados asiáticos para não usar mais o dólar, e sim o yuan, para transações na Ásia. Ou seja, naquela região (e isso é um sinal dos novos tempos), a regra é diferente do Ocidente.

É uma alternativa para o mundo das financias: contratos de futuro de petróleo conversível em outro meio de pagamento. Esses são contratos que fixam um preço futuro com uma promessa crível de valor a ser pago. São mostram de confiança na moeda.

A China é a maior importadora de petróleo e o fim do padrão dólar-petróleo coloca em risco os EUA. Perigo!

Em primeiro lugar, isso quer dizer que a moeda americana perde valor, porque outra moeda grande valor. Como vai sobrando muitos dólares no mercado sem uso, ao invés das pessoas usarem US$1 para comprar uma baguete de pão, todas usam US$5 pra comprar a mesma (por exemplo): INFLAÇÃO.

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Venezuela já está cotando barris em yuan, muito mais por questões política do que econômicas. Mas a China é grande importadora do petróleo venezuelano e é interessante para o país não depender apenas do dólar como moeda de reserva (Foto: Divulgação)

Um segundo problema, é que uma vantagem que os EUA tiveram desde o fim do padrão-ouro, o fim de Bretton Woods. Com o fim do lastro, o país pode imprimir moeda  e manter o valor da mesma porque era considerada a única e mais confinável moeda da face da Terra.

Assim, o crescimento dos EUA nas décadas de 1970 a 2010 vem se apoiando não economia real, mas em bolhas, em especulação e em valor virtual. A crise do bug do milênio foi o estouro de uma bolha pequena. A crise de 20008 foi o estouro de uma bolha maior. E no governo Obama, ao invés de deixar a economia se recuperar sozinha e com base na realidade, o governo imprimiu TRILHÕES de dólares para resgatar bancos, uma nova bolha gigantesca prestes a estourar.

Muitos países querem se tornar independentes do dólar para não sofrerem as consequências dessa implosão da moeda, que perderá tanto valor por inflação interna.

Isso quer dizer que todas as moedas do mundo tenderiam a se valorizar em relação ao dólar e aí poderia haver uma crise generalizada no balanço de pagamentos dos países porque importar vai ser mais em conta do que exportar. Além disso, há o risco imediato de deflação, que acabaria com toda a produção do mundo.

Por outro lado, é importante frizar que o yuan também está com uma bolha interna. Menos que a americana, verdade, mas ao menos essa bolha está sendo corroída já por inflação.

Restará saber para o futuro, que inflação vai bater qual.

Duas coisas são certas:

1) apostar em yuan está sendo uma alternativa mais interessante, ao menos para os países asiáticos, para evitarem uma quebradeira generalizada.

2) O padrão dólar-petróleo vai continuar existindo, mas nesse momento de transição, pode haver muito caos com dois sistemas diferentes convivendo.

Vale só lembrar que no ano passado, a Rússia manifestou interesse em um padrão de comércio regional em rublos, e Irã e Índia, liquidar as transações comerciais em rúpias. Isso significa expulsar o dólar dos países, na verdade, reduzir sua influência sobre a economia de cada um deles.

Talvez, seja o começo de mais uma característica do futuro: a codependências entre as moedas, ao invés da relação unilateral que conhecemos de todas para com o dólar. 😉

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Multipolarização monetária marca transição da velha economia baseada em dólar para um economia de moeda única e global, que certamente será digital, mas também não deverá ser a Bitcoin, assunto pra outra matéria (Imagem: Divulgação)

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