Da redação

A Organização Mundial do Comércio (OMC) distribuiu na semana passada um relatório para os 164 países membros da entidade com duras críticas à política industrial praticada pelo Brasil. Para o órgão, a indústria brasileira se tornou cada vez mais dependente de incentivos e não melhorou sua competitividade.

As políticas praticadas nas últimas décadas não buscaram dar autonomia ao setor industrial, ao contrário, prejudicaram-na em detrimento da agricultura e do comércio, no chamado processo de desindustrialização que começou a ser fortemente debatido no início da crise de 2008.

Por fim, com o governo Dilma, a industria passou a depender de forte ajuda federal, como vimos nos fracassos de Eike Batista e nos escândalos mais recentes da JBS e da Odebrecht.

Apenas para salientar, parte da estratégia dilmista era interessante para o Brasil, porque significava internacionalização de empresas nacionais fortes e competitivas, mas um grande furo foi a baixa eficiência desse processo e a corrupção excessiva. Agora, essas empresas estão vulneráveis ao capital internacional e o Brasil se coloca de joelhos uma vez mais para as grandes potências, sem conseguir se tornar uma. Mas esse é um assunto para outro texto! 😉

Livio Ribeiro, pesquisador de economia aplicada da Fundação Getúlio Vargas explica por que concorda com a avaliação da OMC: “Um ponto central é que a economia brasileira é historicamente fechada, com poucas trocas no exterior, e não se integrou a cadeias globais de valor”, nem agora nem nas últimas décadas.

O economista analisa os motivos que levaram a essa situação. “É o resultado de políticas de um passado não tão longínquo. Foram escolhas de dirigentes, que nem sempre representavam a vontade da sociedade”.

Ribeiro continua: “Muitas tiveram bases válidas, como o argumento da diversificação estratégica em um país como o Brasil, muito grande e que precisa empregar muita gente”, desde antas da redemocratização do país ainda, e que foram mantidas desde então pelos atuais dirigentes.

Resultado de imagen para joesley batista e eike batista
Eike, Joesley e Marcelo são exemplos de empresariado brasileiro dependente do governo federal, mas por outro lado uma nação que se preste ao desenvolvimento necessita da presença do Estado, como ocorreu com a Inglaterra do século XIX, os EUA no pré-I guerra e a China na modernidade (Imagem: Divulgação)

O professor Elton Eustáquio Casagrande, da Universidade Estadual Paulista, comenta mais alguns pontos da crítica internacional: “Na definição de competição externas cada pais tem suas características pelas estruturas produtiva e tributaria e as consequências para formação de preço. Esses questionamentos da OMC são objetivos e não são uma novidade, mas se trata de um protocolo.”

O Brasil rechaçou as críticas OMC e assegurou que está implementando medidas para uma maior abertura e integração à economia mundial. Para fontes do governo, o relatório é bem mais crítico do que ocorre normalmente nesse tipo de exercício.

Os brasileiros reclamam que a entidade parece mais crítica, por exemplo, em relação à política agrícola brasileira do que foi em relação à União Europeia (UE), avaliada no mês passado e conhecida por seus volumosos subsídios e barreiras tarifárias. Estratégia de defesa, porque busca mostrar a dependência que outros setores têm em seus respectivos países.

O ideal seria partir mesmo para o ataque e criar planos sérios de industrialização do Brasil, ou então, criar planos para garantir que a riqueza de nossa terra, vinda direto da agricultura, seja o principal motor de crescimento e geração de renda para o presente e para o futuro. Afinal, se a indústria não é a nossa maior “vantagem comparativa”, usando o economês, então ao menos a agricultura é.

Resultado de imagen para industria brasileira
Passa o tempo e a indústria brasileira retrai. Ela é dependente de inventivos e sem fôlego para andar por conta própria, por diversos motivos que são inclusive históricos e não são apenas de hoje, mas de uma série de políticas tortas e inconsistentes da nossa história (Foto: Divulgação)

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.