Cresce número de brasileiros sem acesso ao crédito ou compras a prazo

O levantamento é feito todo mês em 12 capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Goiânia, Manaus e Belém

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Por Andrei Teixeira, a partir da Agência Brasil

Aumentou de 21% para 25% a parcela dos brasileiros que tentaram efetuar compras a prazo ou obter algum tipo de financiamento no último mês de maio e não conseguiram, principalmente por estarem com o nome na lista de inadimplentes ou por não terem comprovante de renda.

Os dados são do Indicador de Uso do Crédito e de Propensão ao Consumo, divulgados ontem (05/07) pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

O levantamento é feito todo mês em 12 capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Goiânia, Manaus e Belém. Da enquete, participam 800 pessoas de todas as classes sociais, de ambos os sexos, com idade a partir dos 18 anos. O objetivo é reunir dados sobre a evolução da utilização de crédito e consumo em geral pelos consumidores.

Apesar do número grande de pessoas diferentes, 800 é um número estatisticamente satisfatório para o desenrolar da pesquisa, sem grandes problemas de dados viesados ou pouco consistentes.

Resultados

Para 46% dos consultados está difícil a obtenção de crédito. A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, disse, em nota, que “crédito fácil e desburocratizado pode parecer algo positivo para quem precisa de dinheiro imediato, mas por envolver a aplicação de juros elevados pode levar este consumidor a uma situação de inadimplência e de desajuste do orçamento”.

Isso porque as pessoas sofrem da chamada “ilusão fiscal”, pois como estão com mais dinheiro no presente, acabam subestimando as suas dívidas e não planejam a reorganização da sua rotina. A ideia é que quando uma pessoa toma um crédito, ela possa fazer tanto dinheiro que possa devolver o valor tomado + os juros a serem pagos.
Se uma pessoa acaba gastando mais do que tem, às vezes nem conseguirá pagar o valor tomado, quem dirá os juros. E assim a bola de neve.

A pesquisa mostrou que 58% dos consumidores não recorreram a nenhuma modalidade de crédito. O restante (42%) indicou ter utilizado ao menos uma das opções do mercado.

As alternativas mais apontadas foram os cartões de crédito (35%) e os cartões de loja e crediário (16%). O cheque especial foi o recurso empregado por 7% dos sondados, 5% indicaram os empréstimos e 4% deles, os financiamentos.
Ao menos o perfil do tomador de crédito tem migrado de fontes de juros elevadíssimos para fontes de juros elevados. Mesmo que ainda o perfil seja de risco, é preciso que o número de tomadores de cheque especial e crediário reduza bastante e possa migrar para o cartão de crédito.
Entre os que usaram os cartões de crédito, 65% o fizeram com compras em supermercados; 52% com remédios e outros produtos de farmácias; 37% com roupas, calçados e acessórios; 35% com combustível; e 28% em bares e restaurantes.

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