Enfim, nova meta!?!

A partir de 2019 segue uma nova meta com uma nova banda que já vale para esse ano. É uma herança importante pra t-e-n-t-a-r conter a inflação de vez no Brasil

0
989
Sede do Banco Central em Brasília. 15/01/2014. REUTERS/Ueslei Marcelino

Da redação

Em meados do mês de junho, os ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento) convenceram o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, a reduzir a meta de inflação de 4,5% para 4,25% em 2019. Essa revisão deverá ser anunciada na reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) no dia de hoje. Desde 2005, a meta é mantida em 4,5% ao ano.

O comitê é formado pelos dois ministros e pelo presidente do Banco Central. Cabe ao Ministério da Fazenda propor a meta da inflação de dois anos à frente.

As discussões sobre a mudança vinham sendo feitas há meses, e a equipe econômica sinalizava ao mercado que seria preciso reduzir a meta de inflação para manter baixo o nível de taxa de juros que é observado no futuro.

Isso porque a volta do consumo pressiona os preços para cima e, por consequência, as taxas de juros de mercado também sobem na expectativa de que o BC aumente os juros para conter a inflação.

Desde abril, a aposta central dos analistas consultados pelo Banco Central na pesquisa semanal Focus é de que a inflação de 2019 será de 4,25%. Mas desde o começo do ano, o presidente do BC sugere que a meta de inflação caia ainda mais e para o patamar de 3%, uma meta ousada mas saudável para a estrutura de preços médios do Brasil.

E digo “médios” porque devemos nos lembrar que existe a inflação dos ricos, a inflação da classe média e a inflação dos pobres. Na verdade, existe uma inflação para cada pessoa.

 

No ano passado, a inflação fechou em 6,29%. A última vez que ela ficou abaixo de 4,25% foi em 2006 (3,14%), no fim do primeiro mandato do presidente Lula, há muito tempo! O_O

Com a nova divulgação de dados esse mês, a previsão é que a inflação seja de 3,8%, o que encorajou o presidente do BC a assegurar: “Quebramos a espinha dorsal da inflação”.

Resultado de imagem para ilan goldfajn
3% seria o mundo ideal para Ilan Goldjan, presidente do BC, para a meta de inflação e com uma tolerância pequena de 1,5 p.p. para mais e para menos, que já está em vigor a partir desse ano (Foto: Divulgação)

Fundamentos para a redução da meta

Um dos fatores que contribuem para o corte da meta é que a inflação atual está em queda livre, devido à recessão e à redução dos preços dos alimentos. Com o declínio acelerado, parte do governo chegou a defender que a meta de inflação pudesse cair já em 2018, porém a inflação se comporta de maneira cíclica, com momentos de alta e momentos de baixa.

A ideia é que esse ciclo seja menos intenso para cima e para baixo e que na média, ele seja menor também.

Outro fator que está sendo levado em conta pela equipe econômica são os efeitos de uma possível piora da crise política e seus efeitos sobre a economia. Um abalo extra sobre o governo do presidente Michel Temer tem potencial de provocar uma alta do dólar e dos juros no mercado, e portanto, da inflação.

Porém, isso teria como efeito secundário um prolongamento da recessão, o que tenderia a empurrar ainda mais para baixo a inflação.

Então fica para 2019 uma nova meta mais moderada… 😉

O que já está aí

Neste ano, 2017, a meta á tem uma nova tolerância: 1,5 ponto percentual, para cima ou baixo, e não mais de dois percentuais, como vigorou até o ano passado e desde 2005.

Isso significa que o governo deseja uma política monetária ainda mais rigorosa, pois está menos condizente em fugir do objetivo de 4,5%.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.