Por Andrei Teixeira

Como é bom trabalhar e ver o resultado de todo o seu esforço e empenho, não!?

Pois bem, o engenheiro levanta prédios simples ou arranha-céus incríveis, o químico fabrica sabonetes com as essências mais agradáveis ao olfato humano e o biólogo recupera matas e salva espécies da extinção… Tudo muito concreto e prazeroso. Trabalhos que colocam o homem em contato com e ele mesmo e com a natureza ao seu redor.

Agora o que fazem os economistas, contadores e administradores de empresa, por exemplo?

Esse é um texto crítico e portanto busca colocar pingos em letras que não possuem pingos. Temos um pouco da crítica marxista aqui embutida, então é bacana conhecer um pouco mais sobre outro modo de pensar…

No mundo de hoje, a Economia é cada vez mais importante e crucial ao ser humano, seja porque cada vez mais objetos passam se tornar mercadorias, seja porque a vida tem se tornado mais difícil de ser ganha em relação aos últimos 50 anos e por isso todo cuidado com as finanças pessoais é pouco.

Quando olhamos o noticiário, os economistas parecem deuses dotados de conhecimento técnico, complicado e matemático. São capazes de fazer previsões, que muitas vezes são furadas, mas que muitas vezes são acertadas também.

Importante dizer que as próprias pessoas se isolam desse tipo de conhecimento e arranjam muletas como “sou de humanas”, ou então “tenho que aproveitas a vida hoje”, ou ainda “nunca se sabe o amanhã”. As pessoas se isolam desse mundo e acabam reforçando um tipo de nariz empinado já existente num meio que é cada vez mais influente politicamente na sociedade também.

Mas é preciso observar que uma boa parte do trabalho de um economistas, seja dentro de uma empresa, seja dentro do setor público, é ajudar no equilíbrio das contas e fazer com que haja sempre excedentes de dinheiro para gerar lucro ou compensar despesas extraordinárias.

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Decifrar números e relacionar variáveis é um dos desafios dos economistas, uma profissão que exige muita lógica e paciência. Mesmo assim, não deve ser considerada um bicho de sete cabeças, pois ela pode e é muito aplicada ao cotidiano da gente (Foto: Divulgação)

O trabalho do economista é ainda mais nobre no setor público do que no setor privado, pois pelo menos para o primeiro ele trabalha para o bem maior que é o coletivo, o social. Quando o assunto é o segundo, então todo o esforço que o economista faz se concretiza em lucros maiores que são apropriados de maneira desigual pelas lideranças da empresa.

Claro que há casos e casos em que as empresas oferecem alguns bônus como percentuais do lucro àquele que consegue, por exemplo, tirar uma empresa da lama, mas mesmo assim muitas empresas hesitam em reconhecer bons trabalhos quando eles acontecem.

Desse modo, o economista tem um trabalho que é abstrato, que não lhe retorna tanto esforço quanto foi gasto para que o objetivo fosse concluído. É um trabalho que ainda se diz colaborativo, no melhor estilo “participei do lucro de X bilhões do banco Y”, mas que no fundo pouco vai para ele…

Então parece que há uma contradição que precisa ser exposta: a de que uma profissão que ganha cada vez mais prestígio serve ou para o aumento da desigualdade existente na sociedade ou para a simples especulação financeiras de bolsas de valores e fundos das mais diversas naturezas.

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A desigualdade é uma das maiores dificuldades para o desenvolvimento social, cultural e porque nai dizer ambiental. Por isso, o economista deveria se preocupar em dar mais concretude ao seu trabalho (Charge: Divulgação)

Essa máscara precisa ser tirada: a de que o economista é um ser sagrado dotado de um trabalho importante e essencial à sociedade, sendo que na verdade a maior parte dos economistas migra para o setor privado e faz o lucro dos empregadores aumentar em proporção desigual ao salários dos empregados.

Vale a pena afirmar: o problema não é a existência do lucro, mas o aumento da desigualdade de maneira que é estrutural na sociedade de livre mercado e propriedade privada.

Parece que poucos são os economista que lutam mesmo pelo bem maior da sociedade, afinal, Economia é, antes de mais nada, uma ciência humana (aplicada).

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