Por Andrei Teixeira

Muita gente está começando a sacar um bom dinheirinho que estava parado em contas inativas do FGTS. Com isso, as pessoas têm a chance de fazer duas coisas importantes com seu orçamento: sanar dívidas do presente e fazer investimentos para o futuro.

Segundo Thiago Alvares, redator de economia do Info Money, foram analisadas mais de 40 mil consultorias realizadas em 2013 e foi perguntada a muitas pessoas consideradas “bem” aposentadas quais as proporções de dinheiro que elas colocavam em gastos cotidianos, dívidas e investimentos e lazer.

Foi então criada a “regra dos 50-35-15”, em que metade do dinheiro que você recebe vai para as despesas essenciais (como água, luz, mercado, aluguel, gás e mensalidade escolar), um terço vai para lazer e despesas que trazem bem-estar (como Internet, celular, TV a cabo, atividades voluntárias, amigos e família) e 15% deve ser colocado em pagamento de dívidas e em investimentos de qualquer tipo, como a poupança ou títulos públicos.

 

 

A única dificuldade dessa regra é que as pessoas tem situações econômicas diferentes, pois mesmo que duas pessoas tenham dívidas, uma pode ter um valor de R$2.000 e outra de R$20.000. Podemos dizer que quando a divida tem mais de dois dígitos, vale a pena colocar quase todos os 15% para saná-la.

Mas nunca podemos deixar de clocar um dinheiro aplicado em algo, nesse caso mais crítico, pelo menos uns 5%, pois fazer o dinheiro crescer é uma dos motivos de maior sucesso financeiro.

Até porque, como esse dinheiro é extra (vem sem o trabalhar), dá pra usar pra pagar uma parte da dívida ou ser usada pra bancar uma conta mensal.

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A regra é flexível e muita gente usa números mais fáceis de lembrar, como 50-30-20. Os números são individuais, dependem de cada um, mas pelo menos a regra vale como um guia pra se orientar (Imagem: Divulgação)

Onde colocar o dinheiro em títulos? 

Dado que é preciso colocar dinheiro em contas que rendem juros, cabe a cada pessoa sentir o quanto consegue colocar.

Nesse texto, vamos priorizar os já conhecidos “títulos públicos”, já que é uma opção com bom custo-benefício, afinal, eles vão render mais do que os 3% + Taxa Referencial (média de 1,5% nos últimos 10 anos) do FGTS, e mais do que os 6% da poupança.

Para comprar títulos, você deve ter conta corrente em banco e procurar uma corretora, que é uma instituição financeira que vai ser o intermediário entre você e o governo. O passo a passo inicial é oferecido pelo site do Tesouro Nacional:

Tesouro Nacional – Passo a Passo

O valor mínimo para investir em títulos é de R$30,00.

Neste momento, em que a taxa de juros está alta e tende a cair, vale a pena apostar em títulos prefixados, que são aqueles que usam os juros de hoje (que são altos) para render. Por exemplo, o Tesouro Prefixado 2020, rende 9,95% a.a., ou seja, acima da poupança. A perspectiva para os próximos anos é de inflação sempre abaixo de 9,95%, então você não vai perder dinheiro. #ideal pra comprar em anos de crise

Maria não quer saber de tirar R$10.000 do FGTS e deixou lá. Joana é esperta, mas desconfiada, tirou R$10.000 e colocou na poupança.  Ana entendeu o recado, colocou R$10.000 em títulos prefixados 2020 e sempre que chegava o vencimento ela recontratava sua nova aplicação.

Quando chegar 2037, Maria terá R$24.117, Joana terá R$32.071 e Ana terá R$66.666 (não é brincadeira, é matemática). #bom né…

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Títulos rendem muito mais do que a poupança, que, por sua vez, rendem mais do que deixar o dinheiro parado lá na conta da Caixa (Foto: Divulgação)

Outra opção é Tesouro IPCA + 2024, com rendimento de 5,24% a.a. acima da inflação, ou seja, você ganha a inflação do ano mais 5,24%, o que garante que você sempre ganhe da inflação, daqui até quando você quiser, mesmo se ela aumentar. #perfeito se você tá pensando na aposentadoria 

A tabela de títulos oferecido pelo governo sempre muda e está disponível em:

Tesouro Nacional – Tabelas e taxas dos títulos

Se você precisar do dinheiro por algum motivo, não é preciso esperar até o final do período do título, como 2020 e 2024. Você pode tirar antes. O rendimento será proporcional ao tempo que ficar, mas, de qualquer modo, você vai estar ganhando mais do que deixando dinheiro em qualquer lugar.

Outras opções de renda fixa, como CDBs, LCIs e LCAs podem até ter rendimentos parecidos e superiores, mas em geral as taxas administrativas e de resgate são maiores do que as do Tesouro Direto.

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Os saques são permitidos antes do tempo de vencimento dos títulos, sem precisar pagar alguma espécie de “multa” ou “punição” (Foto: Divulgação)

Por fim, os títulos públicos pagam Imposto de Renda, mas a vantagem é que incide apenas sobre o rendimento e não sobre o valor total. A taxa varia de acordo com o tempo de aplicação: quanto mais tempo deixar, menos IR paga:

Tesouro Nacional – Detalhes de tributação

Mesmo assim, continua valendo a pena. Por exemplo, para títulos que vencem em 2020, a taxa o imposto será de 15% sobre o que se ganha, que é 9,95% a.a.

15% de 9,95% = 1,49%.

9,95% – 1,49% = 8,54%, ainda acima da poupança, que é de 6%!!! =D

Isso quer dizer que a Ana vai ter R$51.498 em 2037. #quase 20 mil a mais

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Mesmo pagando imposto de renda, os títulos continuam sendo muito atrativos (Imagem: Divulgação)

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