Por Andrei Teixeira

Donald Trump terá dificuldade para fazer tudo o que prometeu. Na área de economia internacional, por exemplo, será muito mais provável que a maioria dos tratados será revista e não eliminada.

De qualquer modo, mesmo que algumas coisas sejam desfeitas, e mesmo que elas sejam poucas/pequenas, já haverá efeitos para a economia global como um todo.

Em primeiro lugar, vamos nos lembrar de que a China e os EUA compram muita soja, carne e minério de ferro do Brasil.

Em segundo lugar, vale a pena lembrar que uma variável econômica depende do comportamento da outra.

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No longo prazo, o protecionismo de Trump terá consequências ruins para todos. No curto prazo, ou seja, para 2017 e 2018, há muita incerteza sobre o que pode acontecer (Foto: Divulgação)

Então vamos lá ver o que pode acontecer…

Inflação e PIB

Como Trump pensa em colocar uma tarifa de 45% sobre produtos chineses, isso afetaria fortemente o ritmo da maior economia asiática. Eles comprariam muito menos de toda a parte do mundo, inclusive da carne e da soja brasileiras. Num primeiro momento, pode haver excesso de produtos aqui dentro, o que significa queda de preços (e menos inflação), mas depois muitos agentes podem sair dessas atividades ou deslocá-las para outros países, o que significa normalização desse comércio. Mas com queda da China, alguns produtos podem amargar e trazer menos ganhos para a nossa balança comercial, o que significa menos PIB e menos crescimento.

Por outro lado as tarifas impostas para o Brasil seriam menores e haveria continuidade de compras por parte dos norte-americanos. Pra bancar sua retomada de crescimento, os EUA teriam que importar mais ferro brasileiro, então o preço desse bem pode subir, o que, de um lado, diminui a reserva de ferro para nosso consumo (mais inflação), mas, de outro, favorece nossa balança comercial, entrando dinheiro que não entraria com a venda de soja para os chineses, aumentando o PIB e portanto o crescimento.

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A moeda brasileira poderá ganhar ou perder valor a depender do que acontecer com as economias chinesa e norte-americana (Foto: Divulgação)

Câmbio e juros

Até que produzam quase tudo em território nacional (a sonho simplista de Trump) e até lá com mais taxas alfandegárias, os EUA vão pagar mais caro por qualquer bem que queiram importar. Isso significa mais inflação por lá, ou seja, mais taxa de juros por lá, atraindo capital ianque de volta pra casa.

Quando sai dinheiro do Brasil, então há menos notas com a cara de Ben Franklin circulando por aí, ou seja, elas ficam mais caras pela Lei da Oferta e da Demanda, indo de R$3,00 para R$4,00. E daqui a algum tempo, essa alta se traduz em inflação.

Para barrar a saída de dólares, o Banco Central pode aumentar a taxa de juros, ou então, reduzi-la aos poucos, como tem feito nos últimos meses. Assim, o dólar não fica muito caro e não acaba havendo inflação pelas vias da taxa de câmbio.

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O poderoso Banco Central da China deve atuar para que as bolhas chinesas causem o menor estrago possível na economia mundial, mas ele não está sozinho no mundo. O que o FED norte-americano e o BC brasileiro fizerem também será importante pro nosso bolso (Foto: Divulgação)

Mas há um detalhe importante: o yuan chinês estará perdendo valor com a desaceleração da China, então o dólar vai ficar mais forte. É como se o dólar fosse de R$3,00 para R$2,00 na percepção dos próprios norte-americanos. Assim, deve haver mais demanda por parte deles por commodities, o que diminui a inflação desses bens, e fazendo com que o aumento da taxa de juros deles seja menor. Os impactos negativos para o Brasil seriam menores também.

Conclusões

Em um cenário de dúvidas sobre as decisões do todo poderoso Trump, a Economia certamente não é uma ciência exata, já que muitas coisas ocorrem simultaneamente, é difícil saber qual a intensidade de cada uma delas e qual a resultante de cada varável dentro desse sistema.

No Brasil, os cenários variam muito apenas levando em conta as características externas. Se parte do trabalho parlamentar for gasto para salvar a pele dos que ali estão, então haverá menos discussão para coisas que interessam para o Brasil.

Quando se adiciona essa grande indeterminação que é o cenário político interno, então o trabalho do economista vira quase uma consulta no vidente…

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Em 2016, parte da responsabilidade pela queda prevista de 3% advém da própria política brasileira, que gastou muito trabalho, tempo e energia para discutiu impeachments e fazer movimentos que salvassem os próprios grupos do poder. Em 2017, deverá ter muito gasto para tentar amenizar os efeitos da Lava Jato, o que pode custar um pouco mais ao crescimento do país (Foto: Divulgação)

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