Andrei Teixeira

Theresa May. Quem a conhecia aqui no Brasil? Alguns poucos atentos ou pessoas que possuem relações com o Reino Unido certamente estão acompanhando com mais atenção desde o começo do Brexit a política britânica.

Tem sido um momento de muita reviravolta e surpresas, quando, num primeiro momento, a população votou pela retirada do país da UE. Em segundo lugar, Gordon Brown (ex-prefeito de Londres) e Nigel Farage (ex-líder do Partido de Independência) que eram lideranças pró-saída decidiram sair da cena política, num grande ato que a equipe do Claro e Criativo considera irresponsável. Agora, na votação final entre as duas finalistas Andrea Leadson (Energia) e Theresa May (Interior), a primeira também abandona a páreo.

May, que está perto de completar 60 anos, é a segunda mulher a ocupar a cadeira de primeiro-ministro (agora Primeira-Ministra. A primeira foi Margareth Thatcher (1979-1990), quando o país passava por um momento social e econômico difícil. O final dos anos 1970 e o começo dos anos 1980 foi um momento de desordem social, alta inflação (dois dígitos em alguns casos) e rotação política em vários países desenvolvidos. É dessa época aliás a música “God Save the Queen”, da bada de punk rock Sex Pistols, cuja letra foi considerada desrespeitosa e foi censurada pela grande mídia.

Thatcher aplicou a terapia da choque adotada na maior parte desses países: juro alto, desemprego nas alturas e liberalização da economia, sempre numa posição dura em relação à União Europeia. Foi apelidade de “Dama de Ferro”.

Essa lembrança sobre Thatcher nos ajuda a fazer paralelos sobre o que pode ser o mandato de May, já que existe uma situação de desordem social, econômica e também política que afeta o Reino Unido. Devem ser esperadas eleições separatistas por parte da Escócia, a inflação deve acelerar-se à 5% segundo algumas previsões (um valor relativamente alto para o país) eos receios com relação ao terrorismo e o controle de fonteiras ajudam a desestabilizar o social.

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May é a segunda mulher a ocupar a cadeira do Parlamento. Mesmo que ocorresse votação nesta semana, tínhamos duas caras femininas! =) (Foto: Divulgação)

Após a decisão de Leadsom deixar a disputa, um processo formal será realizado para confirmar a liderança de Theresa May, segundo o presidente do comitê do Partido Conservador, Graham Brady. Depois disso, ela se tornará automaticamente a nova primeira-ministra.

As principais bolsas na Europa fecharam em alta nesta segunda-feira (11), reduzindo a incerteza política no país. Analistas disseram que May é uma política experiente que pode garantir maior estabilidade durante as negociações da saída britânica da UE.

“Sinto-me honrada por ter sido escolhida pelo Partido Conservador”, disse May, prestando homenagem tanto à ministra de Energia, Andrea Leadsom, que saiu da disputa, como a Cameron pela liderança do partido e do país.

Três serão os pilares de sua jornada, destacadas durante sua campanha: a necessidade de uma forte liderança para negociar o melhor acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, a necessidade de unir o país e a necessidade de uma visão de futuro bom para todos.Essas são todas ideias gerais, mas que ganharão concretude em todas as áreas da vida dos britânicos se forem em sucedidas. Claro, isso dependerá muito das próprias pessoas.

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