O líder da extrema-direita no Reino Unido, Nigel Farage, afirma que já está satisfeito com o cumprimento do objetivo de saída do país da União Europeia. A cena política fica ainda mais enfraquecida naquelas terras

Por Andrei Teixeira

Após a saída do Reino Unido (RU) do bloco europeu, muitas questões novas aparecem. Esta é a primeira vez que um país decide saída da União Europeia (EU) desde que ela começou a ser construída ainda nos anos 1950, com o Benelux. A saída do país afeta o equilíbrio existente até então e muda variáveis econômicas, políticas e sociais. Um novo ponto de equilíbrio irá surgir neste novo posicionamento do país dentro da Europa.

Politicamente, emerge o caos. Nigel Farage, o líder do Partido da Independência do Reino Unido (Ukip), que parecia ter ganhado espaço, é o terceiro grande nome que sai de cena, após a renúncia de Cameron e a desistência de Johnson. Sua decisão abre espaço para que o partido encontre uma figura menos polêmica para as negociações externas. Dessa maneira, o Ukip pode conseguir ter um papel mais central e importante na política nacional.

Quanto mais extrema é a personalidade política, menor é a chance de ela conseguir atingir a maior parte da população. Quando se está mais ao centro, maior é o número de pessoas que podem ter seus desejos satisfeitos. É por isso que na maior parte do mundo, vemos um movimento de centro tanto por partidos de direita quanto por partidos de esquerda. O caso brasileiro é muito evidente, em que o Partido dos Trabalhadores necessitou se posicionar mais ao centro para manter base de sustentação política.

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Farage alegou ter “alcançado o objetivo” de o país optar pela saída da UE, porém saí da cena. Este é um ato de extrema irresponsabilidade (Foto: Divulgação)

O momento não é bom para os partidos Conservador e Trabalhista. Para o primeiro deles, porque Boris Johnson, ex-prefeito de Londres e defensor da bandeira pela saída, anunciou que não concorreria ao cargo de primeiro-ministro, mais uma surpresa. Para o segundo partido, porque é minoria no Parlamento.

E já começaram as “prévias” para a eleição do novo premiê britânico. Atualmente, estão sendo feitas rodadas de votações para eliminação dos menos indicados. Como os conservadores são a maioria na casa e Cameron era líder da legenda, então agora necessitam votar por outro líder, que automaticamente é o primeiro ministro do país. Em outras palavras, o líder do partido que é maioria no Parlamento é o premiê.

Do lado das preferências, restam três candidatos. Theresa May, a atual ministra do Interior, é quem lidera a corrida já que possui mais da metade dos votos dos 330 deputados do Partido Conservador. Em seguida, temos Andrea Leadson, a ministra da Energia, com 66 votos. E em terceiro lugar, Michael Gove, o ministro da Justiça, com 48 votos.

Theresa apoiou levemente a permanência do RU na EU, enquanto que Michael e Andrea, que já recebeu apoio de Boris Johnson, são pró-Brexit, a “saída dos britânicos”.

Outros dois candidatos menos posicionados, Stephen Crabb e Liam Fox, foram eliminados nesta terça.

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Num estilo “Tatcher moderno” ou “Merkel menos comportado”, May parece ser a pessoa capaz de suportar as dores do parto britânico da mãe Europa (Foto: Divulgação)

 

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