Por Igor Jácome, do Novo Jornal

A Azul informou em janeiro que operaria 12 novos voos nacionais partindo de Recife. Isso aumentou a vantagem de Natal como candidata a sede do hub da TAM no Nordeste. Apesar de parecer contraditório, é nisso que acreditam autoridades potiguares e especialistas.

A partir de Pernambuco, a companhia vai receber pousos e decolagens de todas as capitais do Nordeste e de várias cidades do país. Entretanto, diferente do anunciado pela imprensa pernambucana, a Azul negou que a estrutura seja um hub.

Especialistas afirmam que o aumento das operações no terminal dos Guararapes, localizado na capital pernambucana, deve desencorajar a Latam (fusão da brasileira TAM com a chilena LAN) a investir lá os R$ 10 bilhões previstos na implantação do seu centro de conexões (hub). Isso porque o aeroporto já tinha pouco espaço para expansão e não deverá ter capacidade para atender a dois “hubs”.

Então, concorreram ao investimento as cidades de Natal, Recife e Fortaleza.

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O Aeroporto Internacional de Recife não comporta novos hubs, mas ainda possui capacidade para voos de chegada e de saída. Portanto, as conexões devem ficar para outro lugar, neste caso Natal (Foto: Divulgação)

O aeroporto de Natal teria espaço para sediar até quatro centros de conexões nacionais e outros dois internacionais, segundo o consultor e especialista em energia e logística, Jean-Paul Prates, do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne).

Ele reforçou que atualmente nenhum aeroporto entre os concorrentes atende a toda a necessidade da Latam, mas Natal é o único com capacidade para tanto. “A TAM vai avaliar isso e os concorrentes não têm espaço para expansão. A grande vantagem da TAM em Natal é que ela não vai ter limites para construir”, afirma.

Prates ainda avalia que associar a concentração dos novos voos em Recife a um hub foi mais uma jogada de marketing do governo pernambucano. “Um hub é um conceito muito mais extenso que congregação de voos”, considera. Ele exige investimento em construções de estruturas exclusivas, como base para a tripulação, sede operacional, hangar, oficina, entre outros. Em uma central como essa, as companhias precisam de estrutura para rotear voos e remanejar cargas.

O secretário de Turismo do Rio Grande do Norte, Ruy Gaspar, lembra que Recife já era a principal base da Azul no Nordeste e que a ampliação das operações já era esperada por quem acompanha o mercado da aviação civil.

Gaspar não descartou que o número de voos da TAP (empresa portuguesa de aviação comprada pela Azul) também possa aumentar em Recife. A companhia e seus aviões poderiam embarcar passageiros oriundos de várias regiões do país e trazer passageiros vindos da Europa, inclusive.

A mesma possibilidade é apontada pelo Carlos Alberto Medeiros, professor de Logística no curso de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Para ele, apesar de a empresa não querer dar nome de hub, a concentração dos voos já caracterizaria um.

A crise econômica teria sido a principal motivação para o adiamento da decisão da TAM. Apesar disso, Carlos Alberto acredita que a definição será, de fato, até junho, já que a empresa fechou acordos comerciais com a IAG (controladora do British Airways, Iberia e Vueling) e com a American Airlines.

As empresas fizeram um contrato “joint venture” (expressão que define a união de pelo menos duas empresas para realizar uma atividade econômica comum). Elas vão compartilhar acentos e destinos.

David Neeleman, CEO da Azul Linhas Áreas
David Neeleman, CEO da Azul Linhas Áreas, mostra boa gestão expõe ao público que a empresa brasileira é potente (Foto: Divulgação)

De acordo com a TAM, os acordos vão possibilitar que o hub do Nordeste atenda 80 destinos internacionais, ao invés de apenas 10 esperados anteriormente. “O hub vai atender todas essas companhias. Precisa de uma área de expansão muito grande que só Natal tem”, aponta.

“É inevitável que o hub (da TAM) se instale. Mesmo com o país em crise, o aumento do comércio internacional e o crescimento da própria aviação civil, nacional e internacional, exige isso”, conclui Carlos Alberto.

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