Os debates sobre os reajuste ficam muito mais ricos quando temos acesso e conhecemos os dados oficiais sobre os benefícios sociais e os custos operacionais do cotidiano do transporte público

Por Andrei Teixeira

Para aqueles que acham que o governo dá poucos benefícios aos paulistanos, alguns dados podem ajudar a colocar luz na opaca discussão sobre o transporte público no Brasil. Existe um lado que se move a favor nas questões financeiras e isso não significa necessariamente que os indivíduos defensores dessas ideias apoiem as empresas. Existe outro lado que discute a função social do transporte público e o quão importante é a participação do Estado para garantir esse direito básico que é o de ir e vir.

Na realidade, os dois lados estão certos no que dizem, pois ambas as questões não são excludentes. Afinal, as empresas que concessionam o transporte nas principais regiões metropolitanas cobram pela passagem ao mesmo tempo em que os governos municipais e estaduais bancam a outra parte do valor considerado cheio pela contabilidade (os chamados subsídios).

O problema é saber se as empresas estão indo muito bem ou indo muito mal com o valor cobrado e se o governo está de fato prestando uma ajuda financeira ou desperdiçando recursos, porque é ai que devem residir os debates sociais sobre justiça e desigualdade.

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A equipe do Claro e Criativo foi atrás da Secretaria de Transportes de São Paulo, a SPTRans, para buscar dados que podem trazer luz, um pouco de reflexão e quem sabe um pouco de paz para os furiosos debates que as pessoas andam travando nas redes sociais.

Segundo a fonte, a SPTrans gerencia o sistema de transporte por ônibus da cidade de São Paulo, que conta com uma frota de 14.807 coletivos, sendo que destes 12.519 têm acessibilidade, ou seja, 84,5% do total. Isso demonstra uma grande preocupação com a questão social da mobilidade daqueles que possuem qualquer tipo de dificuldade motora.

Em 2015, foram transportados, em média por dia, 4 milhões de passageiros no sistema municipal que totalizaram cerca de 9,8 milhões de embarques. Destes últimos, 94% são pagos com as diversas modalidades do Bilhete Único.

Os idosos, que têm o benefício da gratuidade, representam 8,6% dos embarques diários.

Os deficientes 3,4%.

Os estudantes que pagam meia tarifa representaram 3,9% e 11,6% utilizaram o cartão escolar Passe Livre.

Em outras palavras, 23,6% dos embarques (quase um milhão de pessoas em média por dia) não pagaram passagem e 3,9% (mais de 150 mil pessoas) pagaram meia passagem.

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Não é apenas nos assentos dos ônibus que residem as preferências. Muitas pessoas possuem o direito de ir e vir garantido pela Constituição (Foto: Divulgação)

Quando pegamos o numero de pessoas que possuem os cartões especiais, essa quantidade aumenta, o que significa que as pessoas não andam, em média, todos os dias de ônibus: a SPTrans informa que atualmente 457 mil estudantes são beneficiados com 50% de desconto na tarifa; 537 mil estudantes possuem o passe livre; 1,13 milhão de pessoas com idade a partir de 60 anos possuem o Bilhete Único Especial do Idoso; e 199 mil pessoas com deficiência que portam o Bilhete Único Especial. Isso totaliza mais de 2 milhões de pessoas que possuem bilhetes especiais.

As gestantes recebem passagens para acompanhamento de pré-natal no programa Mãe Paulistana. As passagens são compradas pela Secretaria Municipal de Saúde.

Além disso, pessoas que possuem algum tipo de restrição médica e portarem uma carta deste, têm o direito de solicitar um bilhete especial que também fornece gratuidade inclusive para o acompanhante.

Um quarto dos embarques é beneficiado socialmente por não pagar a integridade do passe e mais dois milhões de pessoas possuem bilhetes especiais. São dados oficiais de 2015 para refletirmos…

 

 

Existem planilhas que estão disponíveis para consulta popular desde que o preço da passagem era 2,00 (em 2005). Ali, é possível saber exatamente onde o dinheiro foi empregado, de onde ele veio, quem banca o quê e por aí vai.

Esses dados estão disponíveis em:

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/transportes/institucional/sptrans/acesso_a_informacao/index.php?p=187880

Mais informações sobre reajuste da tarifa podem ser obtidas nos links:

http://www.capital.sp.gov.br/portal/noticia/9405

http://www.capital.sp.gov.br/portal/noticia/9415

http://www.capital.sp.gov.br/portal/noticia/9411

Acessar os dados é algo que todos os cidadãos devem fazer, mas nem sempre conseguimos entender o que está escrito em um emaranhado de tabelas.

Por isso, pedir ajuda a conhecidos que sabem lidar com essas informações é essencial para que as dúvidas sejam tiradas, os discursos estejam mais coerentes e os protestos (seja na rua, seja no voto) estejam bem embasados.

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