Da redação

A Ucrânia aprovou recentemente, em novembro, uma alteração no código de trabalho, que proíbe todas as discriminações, incluindo aquelas que se baseiam na orientação sexual. Para um dos representantes do Petro Poroshenko, bloco que defende a nova lei, “é importante mostrar que a Ucrânia é um país europeu e não um Estado soviético, onde se sente o cheiro da Rússia. É difícil, mas a Ucrânia está tentando escapar da realidade pós-soviética para entrar na realidade europeia e para que os cidadãos tenham a possibilidade de viajar pela União Europeia sem visto essa lei precisa se concretizar”.

Um representante  da Frente do Povo, não está contente nem com o resultado nem com a forma como o texto foi votado: “a nossa sociedade não é unânime neste assunto. Há um grande nível de bipolarização na sociedade. Penso que a opinião pública reagiu de forma contraditória a este projeto de lei.” De fato, a homossexualidade não é bem aceita na Ucrânia. Um exemplo disso é que a primeira parada de orgulho do país foi realizada em 2013 e a na deste ano, ela foi alvo de ataque de um grupo ultranacionalista.

O polêmico Petel Pavel

Musculoso, com tudo para ser uma figura de virilidade entre heterossexuais, Pavel Petel é um modelo abertamente gay e é um ativista da causa. Nascido na Ucrânia, ele reside na Rússia há poucos anos. Diferentemente do seu país de origem, onde existe algum debate que reflete a divisão de uma sociedade que se forma nos assuntos de diversidade, a Rússia se mantém um país fechado.

As duras leis “antigay” que estão em vigor desde 2013 proíbem a “‘propaganda’ das relações sexuais não-tradicionais”. Desde então, ativistas LGBT russos levantam suas bandeiras arco-íris e se reúnem para discutir suas identidades e os casos de espancamento, perseguição e prisão.

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Petel Pavel é ucraniano, mas reside em Moscou, onde tem chamado a atenção por seu trabalho/ativismo na causa LGBT (Foto: Divulgação)

O blog de ​​entretenimento LBGT The Back Building realizou uma entrevista exclusiva com Petel, que diz que, apesar de sua aparência claramente muscular e, muitas vezes masculina, ainda está com medo de andar nas ruas em Moscou, porque muitas pessoas o conhecem pelo provocante trabalho de modelo que realiza.

Ele diz que foi assediado e espancado, e está pensando em sair do país para escapar da perseguição que continua a crescer sob as políticas do presidente Vladimir Putin. “Não me sinto seguro em Moscou, pois às vezes as pessoas me ameaçavam e às vezes me atacavam”, disse ele. “É por isso que eu comecei a mudar minha aparência na Rússia. Ultimamente, a sociedade tem estado mais agressiva em relação a pessoas como eu. No entanto, muitos ainda me reconhecem na rua e querem tirar fotos comigo”.

Petel tem feito sucesso por si mesmo como um artista e um modelo que flexiona de gênero, que posa de cross-dressing e que, por vezes, aparece nu em público. Sob as novas leis, Petel diz que “vai censurar e mudar o estilo”, mas que vai fazer isso não apenas por causa das novas leis, mas porque para se tornar mais conhecido necessita que seus materiais atendam às normas de canais como o Youtube, o Vimeo  e outras redes sociais. Atualmente, o Vimeo é o principal portal utilizado pelo artista.

Você sabe que eu não tenho nada na Rússia, além do amor dos meus fãs. Anteriormente, eu não era permitido aparecer na televisão devido à censura e as revistas tinham medo de publicar matérias sobre mim. Tornei-me famoso só por causa da Internet”.

Falando sobre os russos, “a maior parte do público diverso que conheço é capaz de se ajustar muito bem no cotidiano. A maioria deles têm empregos agradáveis. Por outro lado, muitas estrelas pop, de filmes, da televisão e até mesmo alguns políticos, acabam por esconder a sua homossexualidade por conta dos costumes dessa sociedade”.

Petel se diz feliz poder conseguir entrar na Rússia porque ali encontrou sua felicidade privada. Em palavras de encorajamento para a comunidade LGBT na Rússia, acredita que tudo vai ficar bem e que no futuro até mesmo um país fechado como a Rússia necessitará resgatar os direitos que há pouco foram perdidos.

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