Por Andrei Teixeira

Aqui estamos, Bolsonaro venceu as eleições com apoio de mais da metade das pessoas que foram votar. É o novo presidente, sem dúvidas.

Poderia falar de tanta coisa, mas escrevo esse texto para sair da caixa e ser criativo, tentando mostrar pra vocês, leitores, que existe uma oportunidade de ouro com a vitória do ex-deputado.

A primeira coisa que pensei foi que, no dia de ontem, tivemos uma quebra de hegemonia partidária, tal qual aconteceu com Lula em 2002, após 12 anos de governos liberalizantes (iniciado com a eleição de Collor em 1989 e finalizado no “quase desastroso” segundo FHC).

Na época, Lula também trouxe medo e temor (para uma metade) e esperança (para outra metade da população), igual à onda Bolsonaro.

Lula poderia ter rompido com programas econômicos e trazer instabilidade ao Plano Real, que foi a herança deixada pelos 12 anos de programas liberais. No entanto, Lula deu a volta por cima com a “Carta aos Brasileiros”, na qual se comprometeu com a estabilidade dos preços. Ao mesmo tempo, consolidou os programas sociais até então dispersos no pacote “Bolsa Família – Fome Zero”.

Resumindo, Lula se comprometeu com a estabilidade da economia + agregou questões sociais às políticas de Estado.

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A chegada de Collor ao Palácio do Planalto significou o sucesso da primeira eleição e o início de um novo ciclo voltado para a economia (Foto: Divulgação)
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Posse de Lula, em 1º de janeiro de 2003, a vitória de uma nova política de Estado agregada às conquistas anteriores (Foto: Divulgação)

Com Bolsonaro temos uma oportunidade: que ele refaça a “Carta aos Brasileiros”, voltada dessa vez para o compromisso com todas as conquistas sociais, afinal, os 16 anos que acabam de se passar focaram no combate à pobreza e em políticas afirmativas para todos os grupos excluídos. Ao mesmo tempo, Bolsonaro deve consolidar as atuais práticas de combate à corrupção e ao crime que estão dispersas nas ações do Ministério Público, na Lava Jato e na intervenção militar do Rio.

Resumindo, Bolsonaro deve agora comprometer-se com a estabilidade econômica + questões sociais + agregar questões de segurança e combate à corrupção às políticas de Estado.

É como se Bolsonaro fosse um novo Lula.

E é como se os 16 últimos anos de compromisso social fossem os 12 anos anteriores de compromisso econômico.

A oportunidade é de iniciarmos um novo ciclo democrático. E por isso, precisamos ficar atentos e combativos caso qualquer exagero seja cometido. Além disso, é de interesse do agora novo presidente que ele não acabe com programas apoiados pela nossa trigenária Constituição, caso contrário ele sofrerá forte pressão da oposição e de grupos organizados pró-direitos civis.

E para finalizar, esses seria os ciclos que tivemos até aqui:

  • Sarney – compromisso com o sistema democrático (Constituição de 1988)
  • Collor-FHC – compromisso com a estabilidade econômica (Plano Real)
  • Lula-Temer* – compromisso com o social (Bolsa Família)

*Temer segue incluído no terceiro ciclo por participar da coalizão PT-PMDB de Dilma. E olhando pra Bolsonaro, até que dá uma saudade dele, não!? kkkkkkkk

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