Por Vinicius Martins

Desde maio de 2017, os brasileiros que desejam visitar o Canadá não precisam mais de visto. Porém, a medida só vale para quem tirou o visto canadense nos últimos 10 anos (mesmo os já vencidos) ou para aqueles que tenham um visto válido para entrar nos Estados Unidos.

A medida é restrita. Apesar disso a população LGBTQ brasileira que já visitou o país enxerga o Canadá como uma oportunidade para recomeçar a vida.

“O Canadá atrai pessoas dos quatro cantos do planeta que buscam qualificação, experiência cultural e cenários deslumbrantes. Quem vem estudar ou passear quer ser bem tratado e não vítima de preconceito”, afirma Kalli Araújo, conselheira de educação da ALI-Academie Linguistique Internationale. (Foto/Divulgação)

Em 2018, o Canadá foi eleito o segundo melhor país para viver pelo anuário US News & World Report, ficando atrás apenas da Suíça. Para entrar neste ranking é preciso uma grande influência econômica e qualidade de vida e de cidadania. Neste ano, a pontuação canadense foi 9,9 de 10.

Ítalo Velasques, brasileiro de 23 anos e há quatro no Canadá, fez a escolha com base em segurança e menor custo de vida.

“Sempre pensei em mudar para o exterior ao terminar a faculdade. Vi no Canadá a oportunidade de ter qualidade de vida e segurança, pontos que não encontrava mais no Brasil. Além disso, o Brasil estava se tornando muito caro para mim, visto que você paga muito pelas coisas e pouco tem por elas”, relata o estudante (Foto/Facebook).

Sobre como foi chegar em Montreal, Ítalo revela sua primeira impressão: “Como todo homossexual, no Brasil é praticamente impossível de você ser aceito da forma que você é. (…) Quando cheguei a Montreal, em pleno verão, foi a coisa mais incrível que me aconteceu. Lembro de uma situação onde falei que era casado com um homem e uma pessoa desconhecida me parabenizou de uma forma tão natural, que não me senti menosprezado. Essa é uma lembrança que levarei em toda minha vida, da naturalidade que as pessoas são tratadas em uma esfera onde somos todos iguais”.

Montreal é uma das cidades mais requisitadas e bem avaliadas pelos LGBT brasileiros. Questionada sobre a região da Gay Village, a Jornalista e especialista na cultura canadense e parte do time dos Embaixadores de Montreal, Rosane Rodrigues (Foto/Divulgação) conta: “O bairro é um dos que mais ‘bombam’ em Montreal, pois conta com bares, restaurantes, hotéis e lojas. Hoje é um dos lugares mais divertidos do Canadá, e olha que já foi uma área degradada na década de 1950. (…) Começou a atrair comerciantes e se tornou um dos emblemas de Montreal”.

Ela vive no Canadá há dois anos.

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Kalli Araújo lembra que Montreal é uma cidade muito bem localizada e de fácil acesso para outras localidades canadenses ou para os Estados Unidos. A fronteira americana fica a 1h30 de carro, e Nova York a 5 horas.

Além disso, o custo de vida é acessível: “Montreal é um dos locais mais baratos do Canadá e isso faz uma enorme diferença no preço final do intercâmbio. (…) Como temos 25% dos alunos canadenses, a ALI é indicada para quem está precisando aprender inglês e francês em tempo rápido e definitivamente”, diz Kalli.

Há preconceito no Canadá?

Mesmo com todas as oportunidades, muitos podem se perguntar: “Sofrerei preconceito, mesmo que velado, no Canadá?”.

A youtuber Guadá Bezerra (Foto/Divulgação), de 29 anos, também deixou o Brasil em busca de uma vida melhor.

“Deixar meu país e minha família foi muito difícil. Hoje, com as redes sociais (Whatsapp, Facebook e Skype) sinto que eles estão mais próximos. Acho que o mais complicado de morar aqui é estar adaptado ao frio”.

Para Guadá, a discriminação existe, mas não como no Brasil: “Mesmo sendo um país muito livre e tendo políticas públicas favoráveis aos LGBTQ eu já sofri preconceito morando aqui. Porém, é muito diferente do preconceito que há no Brasil. No máximo uma ou duas vezes, reparei em pessoas me olhando torto”.

Guadá não pensa em voltar “principalmente pelo fato de eu ser lésbica e existir muita violência contra nós”. Atualmente ela está no Canal Sapah, criado em parceria com Thais Queiroz e Kel Cruz (Foto/Divulgação, e que tem como tópicos os bairros e as marchas em torno dos direitos LGBTQ do Canadá.

Já Ítalo Velasques afirma: “Como todo país, eu imagino que possa ter. Mas, graças a Deus, nunca tive que me deparar com essa situação. O Canadá é liderado por um partido liberalista que inclui a diversidade cultural no centro das atenções e com isso é difícil imaginar pessoas indo contra essa política”.

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Trabalhando e morando no Canadá

“Tudo parece bem legal, mas e o trabalho? Como irei sobreviver?”, deve pensar você que lê essa matéria.

Entre os pontos iniciais está a preparação para conversação e escrita em inglês e francês, que pode começar no Brasil e se aprofundar no Canadá.

“Montreal, que completou 375 anos em 2017, é um lugar como nenhum outro. É uma cidade bilíngue e emblemática por sua diversidade de pensamentos, de religiões e de orientações sexuais. É a Paris da América do Norte. Por causa disso que muitos procuram o destino quando querem estudar inglês e francês porque, ao mesmo tempo em que fazem uma imersão no idioma, as pessoas também fazem uma imersão cultural e de trabalho”, afirma Kalli Araújo.

Estudar idiomas ajudou a Ítalo, que deixou o Brasil pela falta de reconhecimento profissional e crescimento intelectual. “Aqui o estrangeiro que possui experiência qualificada é o centro das atenções de todos os empresários, visto que a demanda é muito alta por novos empregados”.

Por fim, a moradia permanente no Canadá pode ser um sonho de consumo para muitos LGBTQ. Contudo, o processo é lento e deve sempre ter um pouco cuidado.

“Ainda não consegui residência fixa no Canadá, mas estou no caminho de consegui-la. Tudo deve começar com muita preparação, organização e saber abrir mão de muitas coisas. Mas nada é impossível para quem sonha bastante e faz acontecer”, relata Ítalo.

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