Da Redação

Uma pesquisa revela dados sobre religião, política, salário e mais sobre a população LGBTI+ de Curitiba e Região Metropolitana

Realizada entre agosto de 2017, 1326 entrevistados das cidades de Curitiba e entorno responderam 35 perguntas sociodemográficas e sobre padrões de consumo, comunicação e opiniões sobre a militância LGBTI+.

Entre 14 e 60 anos, sendo a maioria (60%) entre 18 e 29 anos, as pessoas responderam à pesquisa virtual realizada pelo Grupo Dignidade, Instituto Brasileiro de Diversidade Sexual e Aliança Nacional LGBTI.

44% se identificaram como gays, 22% como lésbicas e 23% como bissexuais. Já 2,26% se identificaram como homens trans e 1,13% como mulheres trans ou travestis.

O que chama atenção da pesquisa é a diversidade das respostas, que revela diversas maneiras em como as pessoas se identificarem, inclusive por meio do uso de outras nomenclaturas. Por este motivo o Grupo Dignidade e organizações coligadas passaram a usar a sigla LGBTI+, onde o símbolo + foi acrescentado para abranger outras orientações sexuais, identidades e expressões de gênero.

Para quem faz é LGBTI+, a diversidade dentro do seu grupo não é novidade, mas é importante ressaltar que quem está dentro do padrão heteronormativo muitas vezes ainda não teve essa percepção, por isso a importância da pesquisa, pois a ideia é mostrar que a orientação sexual é apenas uma dentre muitas característica de um indivíduo.

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Dados gerais

63,3% das pessoas se assumiram publicamente como LGBTI+ até os 21 anos de idade. Por outro lado, 15% não são assumidos(as).

Quanto à raça/etnia/cor: 73% dizem ser branca; 17,8% parda; 6,4% negra; 1,7% amarela; e 0,3% indígena.

Quando o assunto é suicídio, 56,3% afirmam que já pensam no assunto.

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Preconceito

Sobre discriminação, 84,4% afirmam que já passaram por alguma situação, sendo quase metade afirmando ter sofrido discriminação INDIRETA (olhares, distância, falta de educação…); um terço relatou discriminação PSICOLÓGICA (agressão verbal…) e 6,9% sofreram agressão FÍSICA.

E a discriminação também acontece no âmbito familiar, pois 9,95% não são aceitos pela família e 43,82% se consideraram “mais ou menos” aceitos.

Os dados sobre ideações suicidas são corroborados por outras pesquisas. Estudos recentes nos EUA reafirmaram que jovens que se identificam como LGBTI+ têm maior risco de tentar se suicidar que jovens heterossexuais. Outra pesquisa nacional nos EUA revelou que 40% dos jovens LGBTI pensaram seriamente em se suicidar e 25% tentaram de fato, comparados com apenas 6% de seus pares heterossexuais.

29,3% foram discriminados na rua; 23,2% na escola/faculdade; 23,1% em casa/família; 11,2% no trabalho; e 10,3% no comércio.  Em alguns casos, a mesma pessoa sofreu discriminação em mais de um desses locais.

Do total, 38,4% sabem que podem denunciar a LGBTIfobia na delegacia; 13,3% na internet e redes socais; e 10,3% na delegacia e também na internet/redes sociais.

33% afirmaram que nunca foram informados sobre como denunciar e 3,2% disseram que mesmo que soubesse, não denunciariam.

Finanças

Sobre a questão da renda familiar, 32,2% afirmaram estar na faixa de R$ 3.801,00 a R$ 9.400,00. Leia mais: Homens gays ganham mais dinheiro que heterossexuais

Esse é um salário relativamente alto pensando que 59% das pessoas entrevistadas afirmaram estar solteiro(a), 23%  namorando e 16,4% casado(a).

Além disso, é preciso lembrar que a desigualdade de renda e de riqueza que é gigantesca no Brasil. E mesmo assim, o grupo LGBTI+ está acima da média de renda do brasileiro, podendo ser considerado classe B/C com muita tranquilidade. Leia mais sobre Economia Gay.

Religiosidade

Outro ponto respondido na pesquisa que abrangeu apenas a cidade de Curitiba e a Região Metropolitana foi religiosidade.

Do total, 19,4% são católicos(as) e 15,5% se descreveram como cristãos(ãs); 7,9% espíritas; 5,8% umbandistas, 2% candomblecistas e 1,68% são protestantes ou evangélicos(as). Além disso, 19,2% afirmaram não ter uma religião, 13,9% são agnósticos e 8,4% ateus.

Os dados demonstram que muitas pessoas creem, mas não participam ativamente das igrejas porque não se sentem acolhidas em função de serem LGBTI+. E as que não creem somam um percentual de 40% como mostrado acima, também um valor superior à média nacional, que está em torno de 15%.

Política

Em ano de eleição presidencial no Brasil, a pesquisa questionou seus participantes sobre sua posição na hora do voto. Do total, 38% afirmaram não ter qualquer posição e 51,6% são de esquerda ou centro-esquerda, uma marca bem definida do LGBTI+.

A última pergunta do questionário, sobre as opiniões a respeito da militância LGBTI+, deflagrou uma onda de respostas das mais diversas, oferecendo amplo conteúdo para análise e orientação das ações e atividades dos grupos da militância LGBTI, ocupando 18 páginas do relatório dos resultados (mais de a metade).

Saúde e prevenção

Sobre a frequência da realização de testes de HIV, 63,8% afirmaram fazer com periodicidade variando entre mensal e anualmente. Já 36,2% afirmaram nunca ter feito o teste.

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